Durante palestra em Salvador, tucano usou sua administração como exemplo a ser replicado no País
Em palestra ontem, na Associação Comercial da Bahia, em Salvador, o governador José Serra – virtual candidato à Presidência da República pelo PSDB – fez duras críticas ao que chamou de “furor fisiológico” do governo federal e, usando como exemplo sua administração em São Paulo, disse que “dá para limpar bastante a política”.
“Quando assumi, muita gente dizia: “você não vai conseguir administrar o Estado sem lotear cargos na Assembleia Legislativa”, mas nós fizemos”, afirmou Serra. E fez uma analogia com o Rio Tietê. “Entrou no Rio Tietê, hoje, você pega doença, mas eu acho que dá para despoluir o rio, entrar na água sem pegar doença. Beber a água já seria um exagero. Mas dá para limpar bastante a política brasileira. Isso ajudaria muito nosso futuro.”
Segundo o governador, ninguém na Assembleia Legislativa de São Paulo pode dizer hoje que está sendo tratado desigualmente.”Quando todo mundo é tratado igual, é mais fácil fazer política”, argumentou.
De acordo com Serra, esse modelo poderia ser replicado no País. “É possível fazer isso no Brasil, frear esse furor fisiológico de loteamento, de uso de máquina e tudo mais”, comentou. “Em São Paulo, por exemplo, não existe indicação política para diretorias de empresas, só indicações técnicas.”
ECONOMIA
Serra foi convidado, pela Fundação Instituto Miguel Calmon de Estudos Sociais e Econômicos (Imic), para falar sobre perspectivas econômicas para a Bahia e o Nordeste. Aproveitou a situação para comentar a atuação do gerenciamento macroeconômico no País. “A partir da década de 1980, o Brasil entrou numa trajetória de semiestagnação econômica, que continua até hoje”, avaliou.
“Estou convencido de que o Brasil não está na trajetória de crescimento por erro e quando a gente identifica que os problemas do Brasil são frutos de equívocos, de incompetência, a gente fica mais otimista”, afirmou. Mais uma vez, o governador paulista disse não estar em campanha e, mesmo com perguntas da plateia sobre a hipótese de ser presidente, se limitou a responder evasivamente, falando sobre atuação nas áreas da saúde, educação e segurança pública no governo paulista.
MULHER É MELHOR
Pouco antes da palestra, Serra deu uma entrevista à TV Itapoan, retransmissora da Rede Record em Salvador, na qual afirmou que “as mulheres são melhores” – aparentemente sem lembrar que pelo menos dois de seus possíveis adversários na corrida presidencial são do sexo feminino – a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e a senadora Marina Silva (PV-AC).
A declaração foi dada quando o governador falava sobre segurança pública. Ele disse, por exemplo, que em formaturas da polícia as mulheres quase sempre pegam os primeiros lugares. “Mulher é durona, quer cumprir a lei e proteger a comunidade”, elogiou.
Do Estado de S. Paulo



O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) negou hoje que possa sair candidato a vice-presidente numa chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), na disputa pela Presidência da República em 2010, em uma eventual aliança PSDB-PMDB. Apesar de declarar apoio ao tucano em uma possível candidatura, Jarbas disse não ter nem 10% de apoio dentro do PMDB e “nem se quisesse” seria candidato a vice. Além disso, apesar das pesadas críticas que tem feito ao seu partido, que acusa de ser fisiológico, descartou a possibilidade de deixar a legenda, a despeito de se sentir desconfortável dentro dela.